São Paulo no SXSW: futurista Amy Webb diz na SP House que senso de comunidade fortalece o Brasil na era da inteligência artificial

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Discussão ocorreu no hub de negócios e tecnologia do Governo de São Paulo na maior feira de inovação do mundo

A SP House, hub de negócios e tecnologia do Governo de São Paulo no maior evento sobre inovação do mundo, o South by Southwest (SXSW), recebeu neste domingo (15) uma das conversas mais aguardadas do evento. A futurista Amy Webb, CEO do Future Today Strategy Group e autora de um dos relatórios de tendências tecnológicas mais influentes do mundo, participou de um bate-papo sobre como líderes e instituições podem agir diante das transformações aceleradas pela inteligência artificial. A conversa foi mediada por Ronaldo Lemos, advogado e pesquisador de tecnologia, e contou com a participação de Thiago Camargo, vice-presidente executivo da InvestSP.

Há 19 anos, Amy Webb publica um relatório anual de tendências tecnológicas que se tornou referência global para empresas, governos e investidores. Na SP House, ela surpreendeu a plateia ao fazer um prognóstico otimista sobre o Brasil. Para Webb, o senso de comunidade e o modo de vida dos brasileiros podem ser um diferencial estratégico num cenário em que a automação avança sobre o mercado de trabalho no mundo inteiro.

“Eu acredito profundamente que o Brasil vai ser importante nesse cenário”, afirmou. Segundo a futurista, sociedades organizadas em torno de produtividade e trabalho tendem a sofrer mais com o avanço da automação. Nos Estados Unidos, disse, muitas pessoas se definem pelos seus empregos e não têm hobbies. Quando o trabalho é tirado, ficam perdidas. O Brasil, argumentou, tem um senso de comunidade e de pertencimento que funciona como uma espécie de proteção.

Webb também alertou que as decisões tomadas agora sobre inteligência artificial terão efeitos que se acumulam ao longo do tempo, e que algumas podem se tornar irreversíveis. Por isso, defendeu que governos e líderes precisam estar dispostos a tomar decisões difíceis enquanto ainda há margem de ação.

Presente na plateia, Stephanie Costa, secretária-executiva da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, destacou dois pontos da conversa que considera fundamentais para o governo. “Quando perguntaram para ela quais instituições seriam mais vulneráveis a esse futuro, ela respondeu: governos. Isso é algo que a gente precisa estar atento. Precisamos aprender a lidar com a IA e, inclusive, ver como a gente consegue usar a nossa cultura para ajudar a desenvolver o estado”, disse.

Stephanie também chamou atenção para a urgência de agir enquanto ainda há tempo. “O segundo ponto que me chamou muita atenção é a margem de ação. A gente precisa acompanhar o que está acontecendo. Não digo que a gente precisa copiar, mas precisa saber o que está sendo feito para poder agir”, afirmou.

Webb também falou sobre as habilidades que serão mais valiosas no futuro. Citou sua filha de 15 anos, que cresceu rodeada de tecnologia mas não usa redes sociais e considera ferramentas como o ChatGPT “irritantes” porque não pensam como ela. “São os valores humanos intrínsecos, como paciência, resiliência e capacidade de adaptação, que estamos começando a entregar quando nos tornamos tão dependentes dessas tecnologias. O problema é a dependência excessiva”, afirmou.

Inovação e negócios

Esta é a terceira participação da SP House no SXSW, evento realizado em Austin, nos Estados Unidos, entre sexta-feira (13) e segunda-feira (16). O espaço do Governo de São Paulo no festival ocupa 2,2 mil m², quase o dobro da edição anterior, com a expectativa de receber até 600 pessoas simultaneamente.

São cerca de 60 horas de conteúdo, distribuídas entre dois palcos principais, além de encontros institucionais, apresentações corporativas e discussões sobre negócios e parcerias internacionais.

Com o tema “We are borderless”, a edição deste ano propõe refletir sobre a circulação de ideias, talentos e oportunidades em um cenário cada vez mais conectado. A SP House funciona como um espaço de encontros e trocas entre empreendedores, executivos, investidores, pesquisadores, gestores públicos e criadores.

Veja a programação completa aqui.

Fonte: https://www.agenciasp.sp.gov.br/sao-paulo-no-sxsw-futurista-amy-webb-diz-na-sp-house-que-acredita-no-papel-do-brasil-na-era-da-inteligencia-artificial/

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