Mesmo com tarifaço, indústrias da RMC exportaram 11% a mais no ano passado do que em 2024

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Desempenho foi o terceiro melhor em 13 anos; vendas para os EUA caíram 15% desde que a taxa de 50% imposta pelo presidente Donald Trump passou a ser cobrada

As exportações da Região Metropolitana de Campinas (RMC) somaram US$ 5,45 bilhões (R$ 29,25 bilhões) em 2025, aumento de 11,22% em comparação com os US$ 4,9 bilhões (R$ 26,39 bilhões) do ano anterior, apesar do tarifaço de 50% dos Estados Unidos sobre as importações de produtos brasileiros. Os dados da Comex Stat, plataforma da balança comercial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, mostraram que o resultado foi o 3º melhor em 13 anos. A liderança é de 2022, quando as vendas ao exterior ficaram em US$ 5,58 bilhões (R$ 30,5 bilhões), seguido de 2023, US$ 5,46 bilhões (R$ 29,4 bilhões).

O levantamento mostrou que as exportações das empresas da região para os Estados Unidos totalizaram US$ 802,65 milhões (R$ 4,32 bilhões) no ano passado, queda de 5,29% em relação aos US$ 847,46 milhões (R$ 4,56 bilhões) de 2024. O desempenho foi afetado principalmente pelos últimos cinco meses, período em vigor da sobretaxação sobre os produtos nacionais. Entre agosto, quando o tarifaço passou a ser praticado, e dezembro, as vendas para o mercado estadunidense somaram US$ 310,09 milhões (R$ 1,67 bilhão), redução de 15,17% na comparação com os US$ 365,53 (R$ 1,96 bilhão) de igual período do ano anterior.

“Diante do choque tarifário imposto pelos Estados Unidos, era de se esperar um impacto severo nas exportações brasileiras. E, de fato, houve. O que surpreende, no entanto, foi a notável capacidade de adaptação do Brasil para compensar essa perda”, avaliou o economista Paulo Gala. As exportações da Grande Campinas para a Alemanha, por exemplo, cresceram em torno de 43%; Argentina, 21%; e Colômbia, 27%. “Esse pivô estratégico demonstra uma reorientação calculada — e bem-sucedida — dos fluxos comerciais do Brasil em resposta às pressões geopolíticas. Em vez de sucumbir, o país expandiu mercados alternativos, reduzindo sua dependência e navegando com sucesso em um cenário global tenso”, disse o economista.

PERSPECTIVAS

Uma multinacional sediada em Campinas anunciou no ano passado um investimento de R$ 521 milhões para ampliar sua área de atuação e as vendas. Os recursos foram destinados para a implantação de um Centro de Competência Global para desenvolver e produzir tecnologias para o setor de agronegócios, além de outras áreas. A empresa de origem alemã, que atua no Brasil há 70 anos, já oferta produtos e serviços para os segmentos da mobilidade, tecnologia industrial, bens de consumo e energia e tecnologia predial. A “companhia continua investindo fortemente no país, o que nos permite seguir na rota de crescimento dos nossos negócios e, assim, também impulsionar o desenvolvimento da sociedade onde estamos inseridos. A expectativa é reforçar nossa posição como empresa pioneira no desenvolvimento de tecnologias para a mobilidade segura e sustentável, além de soluções para o agronegócio inteligente”, afirmou o CEO e presidente da empresa para a América Latina, Gastón Diaz Perez.

A filial do Brasil faturou em 2024, último dado público disponível, RS 8,94 bilhões, dos quais 21% – R$ 1,87 bilhão – gerados a partir de exportações para os mercados da América Latina, América do Norte e Europa. O montante dessa unidade teve uma participação de 77,78% nas vendas de R$ 10,8 bilhões da multinacional em todo o mercado latino-americano, onde está presente em dez países, entre eles Argentina, México, Chile, Uruguai, Paraguai, Panamá e Costa Rica. A companhia emprega em torno de 11 mil pessoas nessa região, o equivalente a toda população de uma cidade do porte de Morungaba.

O investimento da multinacional tem o objetivo de alavancar iniciativas de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), até 2027, para as áreas de mobilidade sustentável, segura e conectada, indústria 4.0 e sistemas inteligentes para o agronegócio (plantio, fertilização, pulverização, sensoriamento e conectividade), além de remanufatura de componentes automotivos. “Estamos bem-posicionados para enfrentar os próximos desafios, e a América Latina segue sendo uma região de alto potencial”, analisou Gastón Perez.

BALANÇA COMERCIAL

Em 2025, as importações da Região Metropolitana de Campinas foram de US$ 18,2 bilhões (R$ 98,02 bilhões), aumento de 14,54% sobre os US$ 15,89 bilhões (R$ 85,58 bilhões) do ano anterior. De acordo com a Comex Stat, foi o segundo maior valor desde 2013, quando teve início a série histórica. O recorde foi em 2022, quando as compras feitas no exterior foram de US$ 19,33 bilhões (R$ 104,11 bilhões). Com isso, o saldo da balança comercial da RMC apresentou o déficit recorde no ano passado de US$ 12,749 bilhões (R$ 68,66 bilhões). O valor representou uma alta de 27,27% em relação aos US$ 10,01 bilhões (R$ 53,91 bilhões) de 2024. O maior déficit anterior havia sido registrado em 2022, US$ 12,747 bilhões (R$ 68,65 milhões).

O resultado da balança comercial da Grande Campinas foi atingido após a região exportar US$ 416,9 milhões (R$ 2,24 bilhões) em dezembro. As importações no último mês de 2025 somaram US$ 1,29 bilhão (R$ 6,9 bilhões), com saldo negativo ficando em US$ 880,06 milhões (R$ 4,7 bilhões). Para Paulo Gala, o resultado do comércio exterior expõe um enorme déficit industrial. “Isso cria um impressionante cabo de guerra interno: o massivo superávit do país gerado por commodities é imediatamente erodido por um déficit no setor industrial”, declarou o economista.

“Ainda assim, há uma nuance importante nesse saldo negativo industrial. Parte significativa dessas importações é composta por bens de capital, máquinas e equipamentos para a produção. Embora impactem a balança no curto prazo, esses investimentos são uma boa notícia, pois sinalizam a modernização e expansão da capacidade produtiva futura do país”, acrescentou ele. Os principais itens exportados pelas empresas da Região Metropolitana foram medicamentos, carros, máquinas para terraplanagem e escavação, óleos de petróleo ou de minerais betuminosos e pneus para automóveis e caminhões.

CIDADES

Os produtos mais importados são inseticidas, herbicidas e produtos semelhantes, compostos heterocíclicos com nitrogênio (matérias-primas para as indústrias farmacêutica e biológica), circuitos integrados eletrônicos, aparelhos de telefonia ou comunicação e soros, vacinas, toxinas e produtos similares. Campinas é o município da RMC com a maior participação nas exportações. Em 2025, a metrópole vendeu ao exterior US$ 1,18 bilhão (R$ 6,35 bilhões), com uma participação de 21,65% do total da Região Metropolitana. Ou seja, de cada US$ 4,65 dólares em exportações, US$ 1 saiu das empresas da cidade.

Campinas ficou em 9º lugar entre as cidades do Estado de São Paulo que mais exportaram. As três primeiras colocações ficaram com Santos (US$ 6,7 bilhões), São Paulo (US$ 5,41 bilhões) e São Bernardo do Campo (US$ 4,1 bilhões). Na RMC, a segunda colocação ficou com Paulínia (US$ 841,35 milhões), seguida por Indaiatuba (US$ 842,39 milhões), Americana (US$ 530,23 milhões) e Vinhedo (US$ 486,23 milhões).

Santo Antônio de Posse, que se pensou que fosse fortemente prejudicada pelo tarifaço estadunidense, fechou 2025 com exportações de US$ 165,2 milhões (R$ R$ 889,76 milhões), aumento de 7,45% em relação aos US$ 153,75 milhões (R$ 828,09 milhões) do ano anterior. A principal atividade econômica do município, de 23,2 mil habitantes é um frigorífico voltado exclusivamente para as vendas ao exterior.

Fonte: https://correio.rac.com.br/campinasermc/mesmo-com-tarifaco-industrias-da-rmc-exportaram-11-a-mais-no-ano-passado-do-que-em-2024-1.1754769

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