Acordo de cooperação internacional vai impulsionar descarbonização

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Parceria com o Instituto de Pesquisa Bright, da Dinamarca, foi formalizada nesta quarta-feira (25)

A Unicamp firmou na manhã desta quarta-feira (25) um acordo de cooperação com o Instituto de Pesquisa em Biotecnologia para a Transição Verde (Bright), ligado à Fundação Novo Nordisk e à Universidade Técnica da Dinamarca (DTU). O foco do trabalho, que também conta com a participação de professores e pesquisadores da Faculdade de Engenharia Química (FEQ), é fomentar a cooperação acadêmica, o desenvolvimento de soluções sustentáveis e o fortalecimento da bioeconomia.

Os pesquisadores das duas instituições já mantêm um sólido histórico de colaborações. O reitor da Unicamp, Paulo César Montagner, ressaltou a importância de preservar cooperações e parcerias de longa data que tragam resultados positivos à sociedade. “É uma relação com o Bright que se consolida e, a partir deste momento, irá gerar frutos para as gerações que virão. Nosso papel, como universidade pública, é exatamente este: preservar um trabalho para que beneficie ainda mais pessoas”, afirmou o reitor.

A cerimônia de assinatura do acordo reuniu os professores da FEQ Telma Franco, Dirceu Noriler e Gustavo Valença, Alexandre Hornemann, conselheiro comercial da Embaixada da Dinamarca e do instituto, e o professor Luuk van der Wielen, diretor-executivo do Bright. Também participaram Ane Sandanger, diretora Jurídica do instituto, e o professor Bjarke Bak Christensen, chefe do Departamento de Bioengenharia da DTU.

De acordo com a professora Telma Franco, o acordo, ainda em fase inicial, prevê o intercâmbio de estudantes, professores, pesquisadores e equipes técnicas entre os dois países. A proposta principal é criar alternativas aplicáveis para transformar emissões em insumos úteis, contribuindo para a descarbonização e o reaproveitamento de resíduos. “É possível converter essas emissões de gases em algo que possa ser reaproveitado em benefício do planeta. O vilão pode ser útil”, acrescentou a professora Telma Franco.

A parceria também deve impulsionar pesquisas em biotecnologia, novos materiais, agricultura e processos alimentares, além de envolver parceiros industriais com atuação no Brasil e na Europa. A expectativa é de que a colaboração gere benefícios duradouros e contribua para enfrentar desafios globais relacionados à sustentabilidade.

A cooperação ganhou impulso nos últimos dias. Durante a agenda de compromissos desta semana, o grupo de representantes do Bright participou de atividades práticas, incluindo a visita a uma usina de cana-de-açúcar, com o objetivo de conhecer de perto o modelo brasileiro de agricultura em larga escala e seu nível de desenvolvimento tecnológico.

“O foco principal é o desenvolvimento de processos biotecnológicos para a produção de todos os tipos de químicos. O nosso projeto busca fazer a conversão de monóxido de carbono, dióxido de carbono e metano usando a tecnologia que chamamos de fermentação gasosa para capturar esses gases emitidos e dar uma destinação. Trata-se de amplificar a utilização de gases residuais para contribuir na produção de outros materiais. A ideia é a descarbonização”, reforçou o professor Dirceu Noriler.

Experiências

Os participantes do evento de assinatura do acordo avaliaram que a troca de experiências entre os países é um dos principais ganhos da parceria. Enquanto a Dinamarca oferece referências em sustentabilidade, o Brasil contribui com sua capacidade de aplicação em larga escala, o que pode ampliar o alcance das soluções desenvolvidas. “Foi interessante mostrar para os representantes do Bright como é a nossa realidade de agricultura industrial. Temos uma parceria de longa data, já que o próprio professor Luuk trabalhou com a Unicamp por mais de 25 anos quando ainda estava em outra universidade, nos Países Baixos”, comentou Franco.

Ainda de acordo com ela, ao longo da semana estão previstos workshops e reuniões estratégicas para definir as próximas etapas da colaboração. A proposta é estruturar um plano conjunto que aproveite a complementaridade entre as instituições e amplie o impacto das pesquisas.

Biossoluções

O Bright busca acelerar o desenvolvimento de biossoluções voltadas à economia sustentável. Suas principais áreas de atuação incluem materiais sustentáveis, alimentos produzidos por microrganismos e o uso de microrganismos na agricultura com emissões neutras de carbono.

O professor Van der Wielen destacou que Brasil e Dinamarca já mantêm acordos nas áreas de agricultura e alimentos especialmente voltados a cadeias produtivas sustentáveis. Hornemann, da Embaixada dinamarquesa, destacou que o objetivo agora é “ajudar a cooperação entre os dois países nessas áreas, tanto acadêmica quanto industrial”.

Fonte: https://www.unicamp.br/noticias/2026/03/26/acordo-de-cooperacao-internacional-vai-impulsionar-descarbonizacao/

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