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Acordo Mercosul–União Europeia pode transformar o Porto de Santos e dobrar movimentação em até dez anos

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Acordo Mercosul–União Europeia pode transformar o Porto de Santos e dobrar movimentação em até dez anos

Autoridade Portuária projeta salto no fluxo anual com abertura de mercados, enquanto especialistas alertam para limites operacionais e logísticos

A Autoridade Portuária de Santos (APS) avalia que o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) pode dobrar o fluxo anual de cargas no Porto de Santos em até dez anos. Essa expansão na movimentação seria impulsionada pela abertura de mercados, redução de tarifas e aumento da competitividade das exportações brasileiras.

A assinatura do tratado ocorreu no último sábado, no Paraguai, após mais de 25 anos de negociações. O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas em mais de 90% do comércio entre Mercosul e UE, beneficiando especialmente o agronegócio e setores industriais de maior valor agregado.

Para o presidente da APS, Anderson Pomini, haverá impacto direto sobre o cais santista. “É um dos maiores acordos comerciais do planeta. Envolve 27 países, uma população de 718 milhões de habitantes e um PIB de cerca de US$ 22 trilhões. Tem potencial para dobrar a movimentação de cargas no Porto de Santos em um prazo de cinco a dez anos”, afirmou.

Segundo Pomini, o Porto movimenta atualmente 180 milhões de toneladas por ano. Com a ampliação desses mercados e a criação de novas rotas marítimas, o volume pode chegar a quase 400 milhões de toneladas. Ele destacou que a integração entre Europa e América do Sul tende a reorganizar cadeias logísticas globais, abrindo espaço para mais navios e negócios operando em Santos.

Para a APS, o acordo beneficia setores estratégicos da economia brasileira, com forte participação na pauta exportadora, como o agronegócio, a indústria automotiva, o setor aeronáutico e o segmento de máquinas e tecnologia. “Comemoramos, mas também assumimos a responsabilidade de nos prepararmos para os próximos 20 anos, aprofundando o canal de navegação, cuidando dos acessos e dando maior capacidade”, ressalta Pomini.

Diversificação

O economista Roberto Paveck acredita que um dos efeitos mais relevantes do acordo é a redução de tarifas de importação sobre bens de capital, máquinas e equipamentos. Ele diz que esse movimento tende a se refletir, ao longo do tempo, na diminuição do custo dos investimentos e pode ter impacto positivo na modernização dos portos, ao ampliar tecnologias hoje concentradas em fornecedores asiáticos.

“Ao diversificar origens e ampliar alternativas tecnológicas, o acordo cria um ambiente mais favorável às decisões de investimento no setor. Não se trata de uma mudança imediata na operação, mas de um fator que, de forma gradual, pode apoiar a elevação do padrão tecnológico e da eficiência do sistema portuário”, afirma.

O tratado segue para os processos internos de ratificação. Na União Europeia, o texto será analisado pelo Parlamento Europeu e poderá também passar pelos parlamentos nacionais. No Mercosul, precisará ser aprovado pelos congressos de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

Especialista descarta salto imediato

Para o consultor portuário Ivam Jardim, da Agência Porto Consultoria, do ponto de vista técnico, falar em dobrar a movimentação no curto ou médio prazo é uma análise muito otimista, “para a qual eu não encontro hoje uma fundamentação concreta”.

Jardim explica que o acordo é relevante, mas ele não cria novos mercados do zero. “Ele melhora condições de acesso, reduz tarifas, amplia cotas e dá previsibilidade. Isso tende a acelerar fluxos existentes, não a multiplicá-los”.

Ele lembra que a Europa é um mercado maduro, onde a população já tem acesso a bens, alimentos e produtos industrializados. Ou seja, não existe consumo reprimido que vai demandar mais commodities.

“A população europeia não cresce. Em muitos países, ela está em retração. Então, não há um vetor demográfico que sustente uma duplicação de consumo. O que pode crescer é valor agregado, qualidade, regularidade do comércio”.

Ivam Jardim afirma que o tema traz à tona uma discussão necessária: os limites físicos e operacionais do Porto de Santos. “Hoje, o Porto já enfrenta dificuldades, especialmente nos acessos terrestres. Se temos desafios para operar com o nível atual de movimentação, como seria com um aumento, por exemplo, de 30%, 40% ou 50%?”

O consultor cita a necessidade de expansão da área portuária, melhorias efetivas nos acessos rodoviários e ferroviários e a ampliação da capacidade do canal de navegação. “Não basta aprofundar o canal para 17 metros. É fundamental aumentar a capacidade operacional, ou seja, o número de navios que conseguem entrar e sair por hora, para evitar filas, janelas perdidas e ineficiência”.

Fonte: https://www.atribuna.com.br/noticias/portomar/acordo-mercosul-uni-o-europeia-pode-transformar-o-porto-de-santos-e-dobrar-movimentac-o-em-ate-dez-anos-1.497052

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