Biometano pode substituir até 32% do gás natural em São Paulo

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Elaborado em parceria com um consórcio de consultorias e entidades estratégicas, o estudo “Biometano em São Paulo: Potencial e Medidas para Alavancar a Produção” foi apresentado pela Fiesp na quinta-feira (28/8), em reunião do Departamento de Infraestrutura (Deinfra). O evento foi transmitido na íntegra e pode ser visto no canal da Fiesp no YouTube.

O levantamento revela que o estado é capaz de produzir cerca de 6,4 milhões de metros cúbicos por dia de biometano, o equivalente a 32% do consumo de gás natural em São Paulo. Atingido esse potencial, 20 mil novos empregos poderiam ser criados, além de haver outros ganhos, como a substituição de parte do diesel usado no transporte e a redução das emissões de carbono em até 16%.

“O objetivo do estudo foi trazer uma estimativa com uma metodologia clara, identificando tanto o potencial de produção quanto o potencial factível”, explicou André Rebelo, diretor executivo de Gestão da Fiesp. “Para montar um mercado grande e organizado precisamos de uma massa crítica, o que somente alguns segmentos podem fornecer”, completou.

O mercado de biometano – Na avaliação de Tiago Santovito, diretor executivo da Aassociação Brasileira de Biogás e Biometano (ABiogás), a iniciativa do estado será fundamental para alavancar esse mercado. “São Paulo vai liderar a produção de biometano. Hoje temos a capacidade de instalar 400 mil metros cúbicos por dia, mas até 2030 o potencial pode chegar a 6 milhões de metros cúbicos no estado”, diz ele.

O grande entrave, de acordo com Santovito, reside na infraestrutura logística: “O Brasil é um território extenso. Precisamos de rodovias, dutos e sistemas que conectem oferta e demanda”, explicou.

A importância do apoio estatal foi reforçada na fala do presidente do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, Jacyr Costa. “O objetivo é tornar a indústria mais competitiva por meio do fornecimento do biometano. Para isso, é fundamental contar com apoio do governo do estado na criação do marco regulatório e na realização das obras necessárias”.

Representando o governo estadual, a subsecretária de Energia e Mineração da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), Marisa Barros, afirmou que “o biometano faz parte do plano estadual de energia que prevê descarbonizar a economia até 2050”. Ela destacou medidas já em andamento, como incentivo ao uso de veículos a GNV e avanços regulatórios.

Já o secretário executivo de Mudanças Climáticas da Prefeitura de São Paulo, José Renato Nalini, apresentou algumas iniciativas do poder municipal. “A cidade já opera 27 carretas e 22 caminhões movidos a biometano, economizando 65 mil litros de diesel por mês e reduzindo 95% das emissões de CO², o equivalente ao plantio de 134 mil árvores por ano”. Segundo o secretário, com a expansão da produção seria possível abastecer metade da frota de ônibus da capital.

Competitividade  O diretor comercial e de logística da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Única), Helder Gosling, observou que as usinas se transformaram e expandiram sua atuação. “Elas não são mais unidades de produção de açúcar e álcool, mas também de energia elétrica, etanol e, agora, de biometano”, pontuou.

Representantes da indústria entendem que o combustível é uma opção estratégica para aumentar a competitividade. “O biometano é uma alternativa extremamente importante para o setor produtivo”, disse Lucien Belmonte, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Vidro (Abividro). No entanto, fez uma ressalva. “Atrelar o preço do biometano ao do gás natural é problemático, pois nosso gás natural está entre os mais caros do mundo”.

Para Luís Fernando Quilici, da Associação Paulista das Cerâmicas de Revestimento (Aspacer) e Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimentos (Anfacer), São Paulo reúne todas as condições para liderar essa transformação: “É o estado mais industrializado do país e tem vocação natural para liderar essa agenda. O biometano é estratégico não só para a transição energética, mas também para a competitividade da indústria e a sustentabilidade da economia paulista, com ganhos ambientais e sociais”.

O consenso dos participantes é de que o biometano não concorre, mas complementa outras soluções, como a eletrificação e o futuro uso do hidrogênio verde. Para avançar, entretanto, será preciso investir em logística, certificação de origem e incentivos fiscais, além de alinhar políticas de oferta e demanda.

 

Fonte: https://www.fiesp.com.br/noticias/biometano-pode-substituir-ate-32-do-gas-natural-em-sao-paulo/

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