Brasil mantém liderança em TI na América Latina

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A Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes) apresentou em uma live aberta ao público em seu canal no YouTube o “Estudo Mercado Brasileiro de Software – Panorama e Tendências 2026”. De acordo com dados da International Data Corporation (IDC) analisados pela Abes, a vigésima segunda edição do estudo – considerada a principal referência para o setor no país -, mostra que o mercado brasileiro de Tecnologia da Informação (TI) mantém trajetória de crescimento, mas entra em uma nova fase, marcada pela consolidação dos investimentos e por uma mudança relevante em relação ao cenário global.

O mercado brasileiro de TI atingiu US$ 67,8 bilhões em 2025, crescimento em relação aos US$ 58,6 bilhões registrados em 2024. Apesar da expansão em volume, a projeção para 2026 é de 5,3%, abaixo do ritmo realizado em 2025 (18,5%) – quando o Brasil cresceu acima da média global (14,1%) – e também inferior à média mundial prevista para o próximo ano (9,7%). Os dados evidenciam uma inflexão importante: após um período de crescimento superior ao do mercado global, o Brasil passa a apresentar um ritmo mais moderado, alinhado a uma fase de maior maturidade do setor.

De acordo com Jorge Sukarie Neto, conselheiro da Abes e responsável pelo estudo, o setor de TI no Brasil segue em expansão, mas com uma dinâmica diferente. “Saímos de um ciclo de aceleração impulsionado pela digitalização, pela adoção intensiva de nuvem e pelo avanço da inteligência artificial, e entramos agora em uma fase de maior maturidade. Nesse novo momento, o crescimento continua, mas passa a ser orientado por eficiência, escala e governança. As empresas deixam de investir apenas para digitalizar e passam a buscar retorno concreto, integração entre tecnologias e maior racionalização dos custos. É uma transição importante, que marca a evolução do mercado brasileiro para um patamar mais sofisticado e sustentável”, afirma.

RELEVÂNCIA GLOBAL – O Brasil manteve a 10ª posição no ranking mundial de investimentos em TI, consolidando-se como o principal mercado emergente do setor. Na América Latina, o país ampliou sua liderança, passando de 34,7% para 38,4% de participação nos investimentos regionais, reforçando seu papel como principal polo tecnológico da região. “Mesmo em um cenário mais desafiador para 2026, o Brasil continua sendo o motor do mercado de TI na América Latina. O aumento da participação regional demonstra a resiliência do setor e a continuidade dos investimentos estratégicos no país”, destaca Fabio Martinelli, Senior Analyst Enterprise da IDC Latam.

IA SE TORNA INFRAESTRUTURA – Se em 2025 a inteligência artificial – especialmente a IA generativa – foi o principal vetor de crescimento, em 2026 a tecnologia se consolida como base estrutural das operações digitais. O foco das empresas passa a ser a integração da IA aos processos de negócio, com impacto direto na eficiência operacional e na tomada de decisão.

A demanda por infraestrutura segue impulsionada pela necessidade de suportar aplicações de IA, com continuidade dos investimentos em cloud, data centers e redes de alta capacidade. Ao mesmo tempo, ganha força a adoção de modelos baseados em outsourcing, serviços gerenciados e ambientes híbridos, refletindo a busca por maior flexibilidade e otimização de custos.

A segurança cibernética, que já era prioridade para 36% das empresas brasileiras em 2025, se consolida como um dos principais pilares estratégicos em 2026. O avanço de arquiteturas como Zero Trust e o uso de IA aplicada à segurança indicam uma mudança de abordagem: de proteção reativa para gestão contínua de riscos. “O ambiente digital está mais complexo e interconectado. Por isso, segurança deixou de ser apenas uma questão técnica e passou a ser um tema de governança e continuidade de negócio”, afirma Sukarie.

O estudo também aponta que o mercado brasileiro de TI ainda possui forte concentração em hardware, que representa 47,9% dos investimentos, seguido por software (32,1%) e serviços (20%). “O peso ainda elevado de hardware no Brasil reflete um estágio de desenvolvimento do mercado, em que a expansão da infraestrutura continua sendo fundamental. Ao mesmo tempo, esse cenário revela uma oportunidade clara de evolução. À medida que avançamos na digitalização, a tendência é que software e serviços ganhem mais relevância, impulsionados por modelos em nuvem, inteligência artificial e serviços gerenciados. É esse movimento que vai aproximar o Brasil dos mercados mais maduros e ampliar a geração de valor no setor”, explica Jorge Sukarie Neto.

DISCIPLINA DE INVESTIMENTO – O estudo indica que o setor de TI no Brasil mantém sua trajetória de crescimento, mas entra em uma nova etapa de desenvolvimento. Após um período marcado pela aceleração da transformação digital e pela expansão dos investimentos em infraestrutura e inovação, o mercado passa agora a operar sob uma lógica de maior maturidade, em que a prioridade deixa de ser apenas crescer e passa a ser crescer com eficiência, integração e geração de valor.

Nesse contexto, os investimentos tornam-se mais seletivos e orientados a resultados concretos, com foco em produtividade, otimização de custos e impacto direto no negócio. A tecnologia deixa de ser apenas um vetor de modernização e assume um papel central na estratégia corporativa, conectando operações, dados e decisões em escala.

“O crescimento continua, mas com uma mudança clara de abordagem. Entramos em um ciclo em que não basta investir – é preciso extrair valor. A agenda do setor passa a ser transformar tecnologia em eficiência operacional, inovação em resultado mensurável e digitalização em vantagem competitiva sustentável. Esse é o movimento que define a próxima fase do mercado brasileiro de TI, que na prática terá IA, cloud e serviços definindo o próximo ciclo de valor”, conclui Sukarie.

Fonte: https://ipesi.com.br/brasil-mantem-lideranca-em-ti-na-america-latina/

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