O primeiro encontro ocorrerá em 24 de junho de 2026, na FEQ
Há décadas, o estado de São Paulo é o maior produtor de etanol de cana-de-açúcar do país, sendo responsável por quase metade de toda produção do biocombustível nacional. Porém, passados 50 anos do Proálcool, o setor enfrenta um período sem evoluções significativas, no qual a produtividade da cana se encontra estagnada, a sazonalidade da produção impacta fortemente o mercado, e as secas prolongadas aumentam os riscos para as 170 usinas sucroalcooleiras do interior paulista.
Nesse cenário, o Centro de Ciência para o Desenvolvimento do Etanol (CCD Etanol) foi elaborado para, ao longo de cinco anos, investigar novos modelos de produção do biocombustível, ampliar a integração entre a pecuária e a agricultura, reduzir as emissões de gases de efeito estufa e proporcionar abertura para produtos até então inexistentes no estado de São Paulo, tendo o milho como matéria-prima principal. Assim, com os modelos estudados, o grão seria processado tanto na entressafra da cana quanto ao longo de todo o ano, permitindo a operação das indústrias sem pausas, com mais empregos, maior arrecadação de ICMS e menor necessidade de estocar etanol.
“Esse modelo já representa cerca de 23% da produção nacional de etanol, concentrada no Centro-Oeste, mas no estado de São Paulo ainda não existe nenhuma usina produtora”, destaca Luís Augusto Barbosa Cortez, pesquisador responsável pelo projeto.
O primeiro encontro será o workshop “Disponibilidade de bagaço nas usinas do setor sucroalcooleiro do estado de São Paulo”, que ocorrerá em 24 de junho de 2026, das 9 às 15 horas, no Auditório da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Unicamp. De acordo com Cortez, o objetivo deste evento é reunir especialistas e pesquisadores do setor sucroalcooleiro para discutir os desafios e as oportunidades relacionados à oferta, à demanda e aos usos estratégicos do bagaço de cana-de-açúcar.
Viabilidade econômica das usinas
Segundo Cortez, com o desenvolvimento das pesquisas do CCD, a introdução do etanol de milho em São Paulo e com os resultados dessa inserção, o Brasil terá a oportunidade de mostrar ao mundo seus avanços. “Hoje, o mundo agrícola enxerga o Brasil como uma potência em expansão, e nós enxergamos o biocombustível como um derivado da agricultura. Então, as pesquisas, os eventos e workshops que serão realizados pelo CCD Etanol têm como objetivo justamente conquistar esse mercado para que o Brasil tenha a oportunidade de se inserir nele com destaque”, explica.
Tanto para o setor público quanto para o privado, o propósito do CCD é claro: demonstrar a viabilidade econômica das usinas “flex” e “flex-full” e indicar se é mais vantajoso produzir o grão localmente ou trazê-lo de estados como Mato Grosso, Goiás e Paraná. “Atuamos fazendo a interface entre as diferentes frentes, as empresas privadas que têm interesse nesse assunto, os governos e nós como instituição de ensino”, afirma o pesquisador. “Trabalhamos no meio de campo para entender como o tema precisa ser desenvolvido e, principalmente, como podemos disseminar esse conhecimento e informar os resultados para o mundo.”
Como forma de facilitar as discussões e as relações entre setores, além de contribuir para a apresentação de dados e resoluções, o projeto irá realizar uma série de eventos e workshops sobre os diferentes eixos da pesquisa, que cobrem os principais desafios e oportunidades do setor sucroenergético paulista.

