FAPESP busca impulsionar colaboração científica entre São Paulo e o Reino Unido

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Fundação promove pela terceira vez na Inglaterra o simpósio FAPESP Week, com o objetivo de consolidar e ampliar parcerias em áreas estratégicas como transição energética e inteligência artificial

O centenário Museu da Ciência de Londres (Science Museum) será palco entre amanhã e quinta-feira (04/06) da terceira edição da FAPESP Week Londres, encontro internacional que exibirá uma mostra da produção científica desenvolvida no Estado de São Paulo e no Reino Unido em áreas como inteligência artificial, transição energética e saúde.

Organizado em cooperação com o Museu da Ciência, o UK Research and Innovation (UKRI), a Royal Society, a British Academy e a Rede de Ciência e Tecnologia do Reino Unido (STN) no Brasil, com o apoio da Embaixada do Brasil em Londres, o evento tem como objetivo consolidar e ampliar parcerias científicas em áreas estratégicas de interesse mútuo entre pesquisadores paulistas e britânicos.

Esta será a terceira vez que a FAPESP realizará o simpósio na Inglaterra – com edições anteriores em 2013 e 2019 –, o que reforça o papel do Reino Unido como o segundo principal parceiro científico do Estado de São Paulo em termos de produção de pesquisa compartilhada no cenário global, atrás apenas dos Estados Unidos.

“A realização desta terceira edição no Reino Unido atesta a capacidade de produção científica conjunta entre a região e o Estado de São Paulo”, diz à Agência FAPESP Raul Machado, gerente de Relações Institucionais da FAPESP.

As sessões acadêmicas reunirão cientistas de ambos os países para discutir resultados avançados de pesquisa e identificar novas oportunidades de financiamento conjunto. Os debates estão alinhados aos eixos estratégicos de fomento da FAPESP e cobrirão temas como transição energética; saúde, dados de saúde e medicina de precisão; inteligência artificial e dados para a sociedade; biodiversidade, bioeconomia e economia circular; uso sustentável de recursos; e museus, patrimônio e sociedade.

Um dos principais destaques desta edição é a inclusão do debate sobre a relevância dos museus de ciência na divulgação do conhecimento, conectando a vocação da instituição britânica à experiência paulista. A programação contará com a participação do Instituto Butantan, que levará para a Inglaterra o projeto de uma exposição conjunta.

“Contemplar os museus foi uma escolha intencional para dar espaço a esse tipo de difusão. Estamos levando o Butantan, que é uma instituição associada a uma intensa atividade de desenvolvimento tecnológico”, explica Machado. Além disso, a inteligência artificial (IA) atuará como tema transversal em toda a programação. “A IA está permeando desde a saúde até a inovação tecnológica; estas são as palavras-chave do encontro.”

A comitiva brasileira também cumprirá uma agenda paralela de visitas a ambientes de inovação de ponta do ecossistema britânico, incluindo o Data Science Institute – o hub de ciência de dados e IA da London School of Economics (LSE) –, a Genomics England – empresa do governo do Reino Unido criada em 2013 com o objetivo de integrar a medicina genômica ao sistema de saúde público britânico (NHS) – e o Cell and Gene Therapy Catapult – centro de excelência sem fins lucrativos estabelecido pelo governo britânico com a missão de acelerar o desenvolvimento e a fabricação de terapias celulares e gênicas.

Seis deep-techs (startups de base científica e tecnológica) apoiadas pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) participarão das sessões de discussão do evento, em suas respectivas áreas de atuação. São elas: Forza, SleepUp, Inovia, Fubá Educação Ambiental, @Tech e Ciclou.

Aumento das colaborações

Em sua 27ª edição, a série de simpósios FAPESP Week, organizada desde 2011, tem criado oportunidades e facilitado a cooperação internacional, consolidando e ampliando parcerias entre pesquisadores do Estado de São Paulo e colegas do mundo todo.

Mais do que aproximar pesquisadores institucionalmente, o efeito prático das FAPESP Weeks é evidenciado pelo crescimento expressivo no volume de investigações colaborativas após a realização dos encontros, sublinha Machado.

Após a realização do evento na Alemanha em março de 2025, por exemplo, o número de propostas de pesquisa em colaboração submetidas à FAPESP saltou de 294 para 582, representando um aumento de quase 98%. Cenário semelhante foi observado na Espanha, onde foi realizada uma edição do encontro em novembro de 2024 e as propostas avançaram de 283 para 471 (alta de 66,4%), e na França, que recebeu o evento em junho de 2025 e registrou um crescimento de 51,3%, passando de 374 para 566 projetos submetidos.

Mesmo em comunidades científicas menores, como a do Uruguai, onde o evento ocorreu em novembro de 2025, o estímulo do simpósio se provou robusto, fazendo as submissões saltarem de 18 para 51 propostas. Esses números consolidam a estratégia da FAPESP de apostar em fóruns presenciais para transformar o diálogo institucional em cooperação científica real e mensurável, avalia Machado.

“Os parceiros internacionais, em tese, já são colaboradores habituais. Mas quando se realiza um evento presencial e focado desse porte a atenção volta-se inteiramente para a cooperação, e isso dispara o número de propostas de pesquisa”, explica o gerente.

A expectativa dos organizadores é que a FAPESP Week Londres replique esse sucesso histórico, convertendo os três dias de debates em uma nova safra de projetos conjuntos financiados pela FAPESP e por seus parceiros, impulsionando a internacionalização da ciência produzida no Estado de São Paulo.

https://agencia.fapesp.br/fapesp-busca-impulsionar-colaboracao-cientifica-entre-sao-paulo-e-o-reino-unido/58225

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