A Associação Brasileira do HidrogĂȘnio Verde (ABIHV) divulgou, nesta quinta-feira (15), um levantamento, baseado em dados internacionais, que indica que mais de 500 projetos no setor estĂŁo em fase de decisĂŁo final de investimento (FID), construção ou jĂĄ em operação, somando cerca de 110 bilhĂ”es de dĂłlares em investimentos. De acordo com a entidade, os projetos que avançam atĂ© o FID compartilham demanda firme com contratos de compradores, marcos regulatĂłrios claros e estruturas de financiamento consistentes, enquanto os que foram interrompidos ou cancelados esbarraram em problemas de regulação e de licenciamento, incertezas polĂticas e de mercado, alĂ©m de custos altos, dificuldades de financiamento e falta de demanda contratada.
Esse cenĂĄrio, segundo o levantamento, tem levado grandes empresas globais a priorizar projetos considerados estratĂ©gicos com melhor combinação de recursos, infraestrutura e mercado. Ao mesmo tempo, mantĂȘm outros em espera e cancelam iniciativas consideradas incompatĂveis com o contexto econĂŽmico e financeiro.
No caso brasileiro, o estudo da associação indica oportunidades, especialmente para o Nordeste, que, segundo a entidade, reĂșne vantagens competitivas, como potencial renovĂĄvel, localização estratĂ©gica e infraestrutura portuĂĄria. Por isso, para que o paĂs avance para a industrialização do hidrogĂȘnio verde, sugere a necessidade de combinar instrumentos de estĂmulo Ă demanda, como metas setoriais e compras pĂșblicas, alĂ©m de leilĂ”es com critĂ©rios tĂ©cnicos e financeiros adequados e oferta de capital para reduzir riscos.
A ABIHV alerta que a ausĂȘncia de compradores domĂ©sticos com contratos de longo prazo, dĂșvidas regulatĂłrias sobre certificação e rastreabilidade do atributo âverdeâ e o alto custo de capital ainda sĂŁo entraves relevantes no Brasil. Segundo a entidade, experiĂȘncias internacionais mostram que leilĂ”es baseados apenas no menor preço tendem a gerar uma âbolha de anĂșnciosâ, sem conversĂŁo em projetos reais. Por isso, propĂ”e exigĂȘncias mĂnimas de maturidade, incluindo licenciamento em estĂĄgio avançado, estudos de viabilidade consolidados e equidade.
Para 2026, a associação recomenda agenda focada na criação de demanda interna, no fortalecimento de instrumentos financeiros e na integração do hidrogĂȘnio verde Ă polĂtica de neoindustrialização do paĂs. A entidade ressalta que o maior valor para o Brasil estĂĄ no desenvolvimento de cadeias produtivas completas, como aço verde, fertilizantes de baixo carbono e combustĂveis sustentĂĄveis para transporte marĂtimo e a aviação.

