Resultados da pesquisa desenvolvida pela Escola de Engenharia de São Carlos da USP mostram aumento de agilidade e eficiência em empreendimentos no Estado de Santa Catarina, onde o projeto já foi implementado
Uma parceria entre a Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP e o Grupo Neoenergia, no âmbito do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), apresentou resultados bem-sucedidos, aumentando a agilidade e a eficiência na construção de linhas de transmissão com menor custo. O projeto também resultou no depósito de uma patente, que protege legalmente a tecnologia desenvolvida e reconhece a inovação no setor.
Chamado Projeto Tirantes, o trabalho foi desenvolvido entre fevereiro de 2023 e agosto de 2025, sob coordenação da professora Cristina de Hollanda Cavalcanti Tsuha, do Departamento de Geotecnia da EESC. “O projeto foi fundamentado em uma extensa campanha experimental de campo, destinada à avaliação das soluções de fundações desenvolvidas nas pesquisas associadas ao projeto, voltadas para situações de dificuldade de implantação, conduzida em três áreas com condições de subsolo distintas e localizadas em diferentes Estados. A campanha envolveu elevado nível de instrumentação das fundações, visando à caracterização detalhada do seu comportamento sob condições reais de carregamento em obra”, explica Cristina.
A coordenadora destaca que houve algumas limitações operacionais inerentes aos ensaios de campo.”Enfrentamos restrições de acesso, execução de testes a céu aberto sob variabilidade climática e interferências ambientais, sem deixar de citar a longa duração dos ensaios, com o objetivo de simular, de forma representativa, as condições reais de carregamento de fundações de torres, desafios esses que superamos de maneira positiva.”
Segundo ela, os desafios contribuíram para que os resultados fossem somados. Além do avanço do conhecimento técnico na área de fundações para torres de linhas de transmissão, que culminaram na criação de dois novos tipos de fundações – as sapatas atirantadas e as estacas helicoidais com injeção de nata de cimento -, foram desenvolvidas novas técnicas de investigação de subsolo para esse tipo de estrutura e realizado o depósito de uma patente. O projeto também contribuiu para a formação de recursos humanos, envolvendo pós-doutorandos e alunos de pós-graduação e de iniciação científica da EESC.
“Os resultados das soluções propostas foram muito bem-sucedidos, possibilitando aumento de agilidade e de eficiência nas construções de linhas de transmissão por um custo menor. Essas soluções, inclusive, já foram implementadas em 25 torres da Neoenergia no Vale do Itajaí, em Santa Catarina”, celebra a coordenadora do projeto. A ideia é seguir ganhando escala, expandindo essas soluções de fundações em outras obras da empresa.
“Paralelamente, alunos de doutorado e mestrado estão analisando o amplo conjunto de dados gerados durante o projeto, dando continuidade ao desenvolvimento do conhecimento na área. Esses estudos têm como objetivo contribuir tanto para o aprimoramento da prática da engenharia quanto para o avanço do conhecimento acadêmico”, conclui Cristina.