As políticas públicas da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo (SCTI), por meio do Sistema Paulista de Ambientes de Inovação (SPAI), têm ajudado mulheres cientistas a crescer. Ao apoiar suas incubadoras, estimular a conexão entre universidades e setor produtivo e fomentar startups de base tecnológica, a Secretaria consolida um ecossistema capaz de transformar conhecimento acadêmico em desenvolvimento econômico sustentável.
No Vale do Ribeira, em Registro (SP), esse movimento se materializa no Aquário de Ideias – Incubadora de Empresas de Base Científica e Tecnológica –, ambiente credenciado junto ao SPAI. É nesse espaço que ciência, empreendedorismo e políticas públicas convergem para impulsionar a bioeconomia regional, fortalecer cadeias produtivas estratégicas e gerar novas oportunidades para o interior paulista.
Para a Secretária Executiva da SCTI, Stephanie Costa, o fortalecimento dos ambientes de inovação é essencial para consolidar essa transformação. “Temos ambientes credenciados junto ao SPAI em todas as regiões administrativas do Estado. O fortalecimento desses ambientes permite interiorizar a inovação, conectar talentos científicos ao setor produtivo e estimular o surgimento de empresas de base tecnológica com alto potencial de impacto. Quando criamos condições estruturadas para que a ciência se transforme em resultados concretos, promovemos desenvolvimento sustentável e ampliamos a competitividade do Estado”, afirma.
Entre as iniciativas que refletem esse cenário estão a BioMonetize e a SEALLG – Innovation, Solutions and Products LTDA, duas startups incubadas no Aquário de Ideias e lideradas por mulheres cientistas que decidiram transformar suas pesquisas em soluções de mercado.
Ciência aplicada à sustentabilidade da aquicultura
À frente da BioMonetize está Moranne Toniato da Silva, de 25 anos, engenheira de pesca formada pela UNESP de Registro (SP) e mestranda em Aquicultura no CAUNESP, em Jaboticabal (SP). Inspirada pela trajetória do avô pescador, Moranne construiu sua formação acadêmica voltada à compreensão técnica da produção aquícola, aproximando-se cada vez mais da sustentabilidade como eixo central de atuação.
Durante a graduação, ao entrar em contato com o ecossistema de inovação, percebeu que a pesquisa científica poderia ultrapassar os muros da universidade. A partir dessa visão, encontrou no Aquário de Ideias o ambiente ideal para estruturar um negócio de base tecnológica. Assim nasceu a BioMonetize, startup dedicada ao desenvolvimento de soluções inovadoras para empreendedores da indústria do pescado e agricultores, com foco em eficiência produtiva e sustentabilidade.
A empresa atua na geração de soluções tecnológicas baseadas em ciência e inovação, auxiliando produtores na tomada de decisão, na otimização de recursos e na melhoria do desempenho ambiental e econômico. Ao alinhar pesquisa acadêmica com aplicação prática, a BioMonetize contribui para uma aquicultura mais eficiente, resiliente e conectada às demandas contemporâneas de sustentabilidade.
Moranne representa uma nova geração de pesquisadoras-empreendedoras, que conciliam formação acadêmica e desenvolvimento empresarial. Em um setor historicamente predominantemente masculino, ela também enfrenta desafios relacionados à credibilidade e à inserção em determinados espaços de decisão. Ainda assim, acredita que consistência técnica, resultados concretos e inovação são ferramentas capazes de superar barreiras e abrir caminhos.
Biotecnologia marinha e bioeconomia azul
Também incubada no Aquário de Ideias, a SEALLG – Innovation, Solutions and Products LTDA é uma empresa de base científica voltada ao desenvolvimento de insumos bioativos a partir de biomassa sustentável de algas marinhas da costa brasileira. Fundada pelas cientistas Johana Marcela Concha Obando, bióloga, e Thalisia Cunha dos Santos, química, ambas doutoras, a empresa atua no modelo B2B, desenvolvendo soluções aplicáveis às áreas de saúde, alimentos, cosméticos e bioprodutos.
A trajetória de Johana reflete a convergência entre ciência e empreendedorismo. Formada em Biologia na Colômbia, é mestre e doutora em Biologia Marinha e Ambientes Costeiros pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com pesquisas voltadas à ecologia, à química de macroalgas e à caracterização de compostos bioativos. Ao longo da carreira acadêmica, tornou-se evidente a necessidade de aproximar a produção científica da aplicação prática.
“Incomodava-me perceber que produzíamos conhecimento de alto nível, mas muitas vezes sem alcançar a sociedade de forma concreta. Criar a empresa foi uma maneira de transformar ciência em solução aplicada, gerando impacto econômico e social”, afirma Johana.
A primeira experiência empreendedora das fundadoras foi a PreettySea, voltada à produção de cosméticos artesanais com extratos de algas. Com o amadurecimento técnico e científico, o foco evoluiu para o desenvolvimento dos próprios ingredientes bioativos, com realização de provas de conceito laboratoriais e consolidação de uma visão de deeptech — empresas baseadas em pesquisa científica robusta e inovação tecnológica de alta complexidade.
Fonte: https://www.inovacao.sp.gov.br/sec_tecnologia_inovacao/noticias/mulheresciencia_moranne_12_03